Estudos Narrativos e Media

Uma das áreas de estudo que, na última década, tem suscitado maior interesse por parte de investigadores dos media é precisamente a dos Estudos Narrativos. Sobretudo nos últimos anos, nos Estados Unidos, Bélgica, Inglaterra e Brasil, foram publicados diversos títulos sobre a narrativa mediática, em parte devido à emancipação do estudo da narrativa em relação às fronteiras dos estudos literários, mas sobretudo devido à perceção de que, na última década, os media assistiram a uma mudança muito profunda no seu funcionamento devido ao desenvolvimento da WEB 2.0 (…).

Desde sempre, 0 campo dos media foi dominado, em termos textuais e discursivos, pela narrativa, facto a que não é alheia a matriz representacional dos media de informação. Bastará recordar que 0 jornalismo, quando passa da condição de ofício para a de nova profissão, na transição do século XIX para 0 século XX, optou precisamente por se autodefinir como ramo de representação objetivada da realidade, criando, inclusive, para 0 efeito, superestruturas narrativas muito próprias e codificadas, acompanhadas de regras retóricas relativamente restritas e estabilizadas.

Por outro lado, se olharmos para os media que sucederam ao jornal impresso, como a rádio, 0 cinema, a televisão e para a influência que a Web, mais recentemente, exerceu sobre eles, percebe-se que, mesmo fora dos formatos noticiosos, 0 investimento em conteúdos de cariz narrativo foi sempre dominante: desde os folhetins radiofónicos, às radionovelas, passando pelos filmes, primeiro mudos e depois sonoros, até às abordagens mais sofisticadas dos formatos televisivos ou à construção da publicidade. Também no âmbito da comunicação política, da comunicação publicitária ou da comunicação organizacional, a narrativa adquiriu, nas últimas décadas, um espaço considerável enquanto estratégia discursiva, quer como procedimento de institucionalização do sentido (…),  quer como instrumento de persuasão ou manipulação.

(Ana Teresa Peixinho e Bruno Araújo, “Introdução” a   Narrativa e Media. Géneros, Figuras e Contextos. Coimbra: Imprensa da Universidade de Coimbra, 2017, pp. 7-8).

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