Monthly Archives: Julho 2016

Media Digitais e Textualidade

International Conference on Digital Media and Textuality

3rd to 5th November 2016, Universität Bremen, Germany

The use of computers as tools of literary and artistic creation has produced further paradigms within literary, language and media studies, but it has also promoted the resurfacing of a series of age-old debates. Digital media and digital technologies have extended the range of multimodal reading experiences, but they have also led us to readdress deep-rooted notions of text or medium. The dynamic network of media, art forms and genres seems to have been once again reconfigured.  However, practices and debates that have preceded the emergence of the computer medium have not been discarded. In fact, they have been incorporated into experiences with the medium and have contributed to shaping digital artifacts. The “International Conference on Digital Media and Textuality” aims to examine this process. This conference seeks to move beyond the “old and new” dispute and to help us identify intersections, exchanges, challenges, dead-ends and possibilities. In order to achieve this goal, the panels of this conference are designed to cover multiple topics and fields of research, from media archaeology to teaching in a digital age. This event will be sponsored by the Electronic Literature Organization (ELO, Massachusetts Institute of Technology, USA).  For further information, please visit the conference’s website at https://digmediatextuality.wordpress.com/ or contact the conference chair, Daniela Côrtes Maduro at cortesm@uni-bremen.de.

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Herói desportivo

CRDotado de conformação bem singular  é aquele outro  herói em quem dialeticamente logo pensamos, quando descrevi a singeleza infantil de Lionel Messi. Trata-se do “irmão desavindo” Cristiano Ronaldo. Digo-o nestes termos por saber que o motivo do irmão desavindo (…), como o motivo do rival inconciliável, são ambos tão antigos como os relatos fundacionais da civilização judaico-cristã e as narrativas identitárias da Antiguidade Clássica, matrizes de um imaginário de que se alimentam também as narrativas mediáticas do fenómeno desportivo. Caim e Abel, Esaú e Jacob, Rómulo e Remo, num outro plano que é o da rivalidade dos heróis, David e Golias, Aquiles e Heitor, Artur e Lancelote não seriam heróis sem a conflitualidade às vezes fratricida que expressa a diferença e acentua a energia vital que caracteriza o comportamento heroico. Em tudo distinto de Messi, o herói Cristiano Ronaldo é filho da mesma mãe mediática, mas é moldado por uma figuração paraficcional própria. Expressa-se essa figuração na exuberante musculação e na gestualidade de guerreiro Matrix que se exibe na arena mediática. Antes disso, está uma proclamada e assumida metodologia do treino com requintes científicos, tudo  desembocando numa imagem cuja dimensão humana é quase residual.  Com o apoio de gráficos, de estatísticas e de iconografia computorizada, o herói está feito um robot, com designação de marca a condizer: CR7. Trata-se agora de uma espécie de organismo cibernético, cuja sofisticada agressividade se traduz em imagens verbais que os narradores do relato mediático já estereotiparam: Cristiano Ronaldo não marca livres; CR7 dispara mísseis tomahawk. No Brasil, ele perdeu por completo a condição humana: “é a fera”, dizem os comentadores.

Extrato de “The Special One. Fenomenologia do Herói Desportivo“, in Pessoas de Livro. Estudos sobre a Personagem. Coimbra: Imprensa da Univ. de Coimbra, 2015.

 

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