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A meu ver, a criatura de papel a que chamamos personagem ganha relevância semio-
- a substancialidade humana (passe a expressão) a que ela dá forma, com originalidade maior ou menor, na modalidade de ficção em que se integra, ganhando capacidade de individuação.
- a operatividade diegética que dessa substancialidade provém, criada pelo rendimento das interrelações accionais em que se acha implicada: cruzamento com outras personagens, situações em que participa, papel que adquire na construção da acção.
- a conectividade da personagem com o espaço/tempo em que a ficção a coloca, geradora de laços que a podem tornar instrumento de significados sócio-culturais relevantes.
- a sua relação com o universo do autor no momento da sua concepção, universo configurado por circunstâncias biográficas, opções político-ideológicas, orientações estético-literárias.
- a situação da personagem no conjunto das saídas da imaginação do seu autor, perspectiva que pode levar ao desenho, na obra deste, de isotopias, contrastes, evoluções.
- a colocação da personagem em comparação com as criadas por outros artistas – da palavra, ou de distintos meios de expressão – que cultivaram, coetaneamente ou noutras épocas, campos temáticos e práticas formais que com ela têm afinidade.
- O impacto cultural e a sobrevida da personagem.
Cada um destes parâmetros pode, é claro, ter pertinência maior ou menor na avaliação de uma personagem.
(Ofélia Paiva Monteiro, excerto da comunicação apresentada no workshop do projeto Figuras da Ficção, a 21.1.2015).
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