Parâmetros para a avaliação da personagem

A meu ver, a criatura de papel a que chamamos personagem ganha relevância semio-fotografia 2b 21 jan 2015estética em função da resposta que der a perspectivas de interpretação e avaliação que tenham fundamentalmente em conta:

  1. a substancialidade humana (passe a expressão) a que ela dá forma, com originalidade maior ou menor, na modalidade de ficção em que se integra, ganhando capacidade de individuação.
  2. a operatividade diegética que dessa substancialidade provém, criada pelo rendimento das interrelações accionais em que se acha implicada: cruzamento com outras personagens, situações em que participa, papel que adquire na construção da acção.
  3. a conectividade da personagem com o espaço/tempo em que a ficção a coloca, geradora de laços que a podem tornar instrumento de significados sócio-culturais relevantes.
  4. a sua relação com o universo do autor no momento da sua concepção, universo configurado por circunstâncias biográficas, opções político-ideológicas, orientações estético-literárias.
  5. a situação da personagem no conjunto das saídas da imaginação do seu autor, perspectiva que pode levar ao desenho, na obra deste, de isotopias, contrastes, evoluções.
  6. a colocação da personagem em comparação com as criadas por outros artistas – da palavra, ou de distintos meios de expressão – que cultivaram, coetaneamente ou noutras épocas, campos temáticos e práticas formais que com ela têm afinidade.
  7. O impacto cultural e a sobrevida da personagem.

Cada um destes parâmetros pode, é claro, ter pertinência maior ou menor na avaliação de uma personagem.

 (Ofélia Paiva Monteiro, excerto da comunicação apresentada no workshop do projeto Figuras da Ficção, a 21.1.2015).

Figuras da Ficção, 21 de janeiro de 2015

Figuras da Ficção, 21 de janeiro de 2015

3 comentários

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3 responses to “Parâmetros para a avaliação da personagem

  1. Ana Teresa Peixinho

    Aula fantástica da Doutora Ofélia. Só muita paixão por um autor pode produzir discursos assim. Obrigada Doutora Ofélia…

  2. Maria do Carmo Castelo Branco de Sequeira

    1.Não assisti. Só li o texto – o que não é a mesma coisa, mas dada a clareza das palavras impressas, quase apaga a não presença.
    2.ANTES, as imagens que circundam esta ocorrência, simulando, num quadro semiótico diferente,esse diálogo entre quem Diz e quem Escuta.
    3 Ainda, focando só a primeira – perfeitamente simbólica:da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra: 2 gerações – uma Professora, um ex-aluno, neste momento igualados pelo Saber e pelo Reconhecimento.
    4 AGORA, a estruturação dos Parâmetros para a avaliação da personagem, demonstrativos de que a didáctica é qualquer coisa de intrínseco.
    5. E AINDA: Entrando na substância: Estes parâmetros enunciados, são uma extraordinária síntese dos aspectos a considerar para uma perfeita visão da “personagem”, enquanto categoria primordial da narrativa, numa síntese organizada que permite a leitura global da análise a fazer.
    FINALMENTE: Muito obrigada pela possibilidade de entrada neste universo, Prof. Carlos Reis.

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