Colóquio “Narrativa, Média e Cognição”

Cartaz-Coloquio Narrativa Média e Cognição 2015-page-001Mais informação em http://artes.porto.ucp.pt/Coloquio-Narrativa-2015

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Personagem e figuração

O presente número da Revista de Estudos Literários do Centro de Literatura Portuguesa procede agora à publicação, em formato convencional, daquelas intervenções que mais diretamente correspondem ao espírito do projeto “Figuras da Ficção”. Com uma exceção, nele participaram já ou continuam a participar os autores dos textos que adiante podemos ler, distribuídos por três secções, a saber:

  • Em “Teoria, figuração, interpretação” encontram-se três das conferências apresentadas no colóquio “Figuras da Ficção 4”, tratando de questões de teoria, de análise interdisciplinar e transnarrativa, bem como de exegese renovada, à luz da problemática da figuração.
  • Em “Figuração literária: estudos de personagem” a questão da figuração (uma questão que é axial, tendo em vista as bases e os objetivos do projeto) orienta-se para a análise de casos específicos (em Garrett, em Eça de Queirós, em Lídia Jorge, em Lobo Antunes, em Mia Couto, no romance barroco, em Dulce Maria Cardoso, etc.).
  • Em “Figurações transmediáticas” são inseridos aqueles textos que, confirmando o potencial de diversificação dos estudos narrativos e dos estudos de personagem, abordam narrativas do chamado universo mediático, em que a figuração e a figura ficcional conhecem também um destaque apreciável: no discurso de imprensa, na banda desenhada, no cinema e no relato televisivo.

Para além das habituais resenhas críticas, este número 4 da Revista de Estudos Literários inclui uma secção, também habitual, de arquivo. Tal como em números anteriores, trata-se aqui de relembrar textos com significado (digamos) histórico para os estudos literários. Neste caso, recolhemos um conjunto de textos de Júlio Dinis, escritos em circunstâncias singulares (o escritor encontrava-se na ilha da Madeira, tentando debelar a enfermidade de que viria a morrer, muito jovem ainda). Não é só a personagem, tema central deste número, que está em equação no arquivo que adiante se encontra; o autor d’As Pupilas do Senhor Reitor   alarga-se a considerações que dizem respeito a outros aspetos da escrita do romance, dando testemunho de uma argúcia e de uma capacidade de enunciação doutrinária que talvez sejam desconhecidas de quantos rapidamente catalogam Júlio Dinis como escritor “fácil”.

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Figuração do herói romântico

imagesBUIK1WHIA personagem individual e imponente, que os românticos figuravam em si mesmos, várias vezes, em sonho, a tentei viver, e, tantas vezes, quantas a tentei viver, me encontrei a rir alto, da minha ideia de vivê-la. O homem fatal, afinal, existe nos sonhos próprios de todos os homens vulgares, e o romantismo não é senão o virar do avesso do domínio quotidiano de nós mesmos. Quase todos os homens sonham, nos secretos do seu ser, um grande imperialismo próprio, a sujeição de todos os homens, a entrega de todas as mulheres, a adoração dos povos, e, nos mais nobres, de todas as eras…Poucos como eu habituados ao sonho, são por isso lúcidos bastante para rir da possibilidade estética de se sonhar assim.

A maior acusação ao romantismo não se fez ainda: é a de que ele representa a verdade interior da natureza humana. Os seus exageros, os seus ridículos, os seus poderes vários de comover e de seduzir, residem em que ele é a figuração exterior do que há mais dentro na alma, mas concreto, visualizado, até possível, se o ser possível dependesse de outra coisa que não o Destino.

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  (Livro do Desassossego de Bernardo Soares. Edição R. Zenith. 3ª ed. Lisboa: Assírio & Alvim, 2001, pp. 86-87)

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O romance como narrativa

O romance como género de prosa autónomo surgiu no período da modernidade. Desde o século XVIII ao fim do século XX, o romance tratou, ao mesmo tempo, de  se afirmar e de se distinguir de outros géneros narrativos:  da história, da biografia, das memórias e dos relatos de viagens ao cinema, à televisão e ao relato digital. 

Simpósio Narrative the Novel/the Novel as Narrative. Simpósio organizado pelo Centro de Estudos do Modernismo  na Austrália. 16 de maio de 2015.

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Personagem e jornalismo

mario_mesquitaO conceito de personagem, tradicionalmente discutido no quadro da análise literária dos textos ficcionais, pode servir também como útil ferramenta analítica, no contexto da escrita não-ficcional, tendo em atenção as narrativas historiográficas ou jornalísticas. A relevância de se introduzir a noção de personagem na análise crítica de textos jornalísticos é atualmente reforçada causa da crescente personalização tanto da vida política e social, como dos discursos mediáticos. Este artigo assenta em contributos do campo da teoria literárias e do estudo dos media,  mapeando as condições e as implicações da construção de personagens na prática jornalística.

(Mário Mesquita,  “The Character in Journalism: Reconciling Narratology and Ethics” [resumo], in Portuguese Literary & Cultural Studies, 21/22, 2012, pp. 329-49).

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Parâmetros para a avaliação da personagem

A meu ver, a criatura de papel a que chamamos personagem ganha relevância semio-fotografia 2b 21 jan 2015estética em função da resposta que der a perspectivas de interpretação e avaliação que tenham fundamentalmente em conta:

  1. a substancialidade humana (passe a expressão) a que ela dá forma, com originalidade maior ou menor, na modalidade de ficção em que se integra, ganhando capacidade de individuação.
  2. a operatividade diegética que dessa substancialidade provém, criada pelo rendimento das interrelações accionais em que se acha implicada: cruzamento com outras personagens, situações em que participa, papel que adquire na construção da acção.
  3. a conectividade da personagem com o espaço/tempo em que a ficção a coloca, geradora de laços que a podem tornar instrumento de significados sócio-culturais relevantes.
  4. a sua relação com o universo do autor no momento da sua concepção, universo configurado por circunstâncias biográficas, opções político-ideológicas, orientações estético-literárias.
  5. a situação da personagem no conjunto das saídas da imaginação do seu autor, perspectiva que pode levar ao desenho, na obra deste, de isotopias, contrastes, evoluções.
  6. a colocação da personagem em comparação com as criadas por outros artistas – da palavra, ou de distintos meios de expressão – que cultivaram, coetaneamente ou noutras épocas, campos temáticos e práticas formais que com ela têm afinidade.
  7. O impacto cultural e a sobrevida da personagem.

Cada um destes parâmetros pode, é claro, ter pertinência maior ou menor na avaliação de uma personagem.

 (Ofélia Paiva Monteiro, excerto da comunicação apresentada no workshop do projeto Figuras da Ficção, a 21.1.2015).

Figuras da Ficção, 21 de janeiro de 2015

Figuras da Ficção, 21 de janeiro de 2015

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Banda desenhada: medialidade e materialidade

Workshop sobre medialidade e materialidade na banda desenhada contemporânea. De 24 a 26 de abril próximo, na Sociedade Alemã de Estudos Mediáticos, Universidade de Tübingen. Trata-se de “analisar a relação entre a medialidade e a materialidade da banda desenhada, atentando de forma particular na mudança dessa relação, no contexto da digitalização e numa cultura mediática cada vez mais convergente.”

Mais informação em: Materiality and Mediality in Contemporary Comics

 

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